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Pediatria em aves

 
Um médico veterinário ou biólogo deve sempre acompanhar os primeiros dias de vida destes animais sensíveis ou fornecer instruções técnicas para o criador
 

Por Carlos Alexandre Pessoa

Nas aves podemos classificar os filhotes como altores (ficam nos ninhos) ou precoces (nidífugos) ao eclodir. Na eclosão as aves altrizes apresentam pouca ou nenhuma penugem, um desenvolvimento musculoesquelético fraco, dependendo da alimentação e do aquecimento dos pais.*

Dentre as aves altrizes temos os psitaciformes, passeriformes, tucanos, pombos e rolas. As aves de rapina são semialtrizes e requerem maior atenção por parte dos pais para sobreviver. As precoces nascem cobertas por penugem e já são capazes de ficar de pé, correr e até mesmo voar logo depois da eclosão. As aves precoces requerem uma atenção mínima por parte dos pais. *

Os filhotes podem ser criados por seus pais, pais adotivos ou manualmente. O fato de deixar os filhotes com os pais economiza tempo, além de ser preferível no caso de espécies ou indivíduos que serão utilizados com propósitos reprodutivos ou para a reintrodução no ambiente silvestre.

Os ninhos devem ser adequados para cada espécie, sempre respeitando suas necessidades. Caixas comerciais, ocos de árvores, sementes de sapucaia, entre outras, podem ser utilizadas como ninhos nas diferentes espécies. Geralmente os ninhos possuem uma “portinha” por onde o médico veterinário, biólogo ou criador podem acessar e monitorar diariamente os filhotes.*

Este tipo de monitoramento permite verificar se a ave não se apresenta sadia,  com temperatura corpórea inadequada ao toque, papo vazio, inquieta ou com deformidades estruturais (anatômicas).

Para aumentar a produção podemos recorrer a pais adotivos. O ninho adotivo deve ter filhotes ou ovos de tamanho e idade similares. Deve-se atentar para a possibilidade de disseminação de doenças infecciosas. A criação manual de aves jovens é intensamente trabalhosa, mas frequentemente estes indivíduos tornam-se animais de estimação melhores. *

A remoção dos neonatos e dos ovos para uma incubação artificial e uma criação manual aumenta a produção através da permissão de que um par tenha ninhadas adicionais.

Quando falamos em criação manual, muitos problemas pediátricos estão envolvidos. É proibitivo retirar os filhotes, separando-os de seus pais, iniciando alimentação inadequada em recinto impróprio.

Um médico veterinário ou biólogo deve sempre acompanhar os primeiros dias de vida destes animais sensíveis ou fornecer instruções técnicas para o criador. Itens importantes que devem ser abordados pelos profissionais responsáveis pela criação incluem: aquecimento, iluminação, ninho, alimentação, manipulação e prevenção de doenças.

Os neonatos não possuem sistemas imunes totalmente competentes e são mais suscetíveis às doenças que as aves adultas com sistema imune ativo e desenvolvido.

O padrão, instalações, cama, controle de doenças, identificação dos filhotes e manutenção de registros* de um viveiro são fundamentais para que se obtenha êxito nesta arte que se chama ‘criação de aves’.

A alimentação e/ou dieta alimentar se constitui em um problema gravíssimo quando não se conhece as exigências nutricionais de cada espécie. Sempre procure um profissional da área para auxiliá-lo.

* Referência bibliográfica

RUPLEY, A. Manual de Clínica Aviária. Editora Roca LTDA, São Paulo, 1999.

Prof. Carlos Alexandre Pessoa, médico veterinário, CRMV/SP: 8621

Atendimento Clínico e Cirúrgico de Animais Exóticos, Silvestres e Pequenos Animais

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